sábado, 28 de janeiro de 2012
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Um bolo doido
E finalmente, depois de seis meses sem descanso,
sem dormir, encalhada em milhares de livros, chega a recompensa e nos deparamos
com as tão esperadas FÉÉRIAS!
O périodo do ano
no qual seu corpo naturalmente se organiza pra dormir de madrugada e acordar na
hora do almoço, o período no qual você come sem culpa e perde as calorias
batendo perna pela cidade, ou banhando de piscina, ou correndo de cachorro, ou
dançando forró ou fazendo qualquer atividade física não intencional! É o
período no qual todo dia parece sábado e seus amigos estão sempre disponíveis,
ninguém tem prova no dia seguinte nem trabalho pra entregar, então ficamos
livres pra fazer um bolo doido!!
Bolo doido é entrar
no carro de um amigo e ver o que está acontecendo nos arredores da cidade, é
banhar de rio, é jogar queimada debaixo da chuva, é matar pela primeira vez uma
galinha, limpá-la e no final descobrir que ficou meio dura mas mesmo assim
comer tudo do prato, é subir na garupa de uma moto, levar uma queda e mesmo
assim subir de novo, é comprar os ingredientes e preparar uma deliciosa lasanha,
é assar milho em churrasqueira elétrica, é fazer um lual em meio a chuva, é
falar besteira, é rir até chorar, é ser feliz sem se preocupar!!
Porque férias são
curtas demais, passam muito rápido, e não vale a pena se não tiver novos amigos
pra cuidar, saudade pra sentir e boas histórias pra contar...
No fim das
contas... foi um bolo doido esperando as próximas férias pra ter de novo!!
Camilla N.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Sons que confortam
Eram quatro horas da manhã quando seu pai sofreu um colapso cardíaco. Só estavam os três em casa: o pai, a mãe e ele, um garoto de doze anos. Chamaram o médico da família. E aguardaram. E aguardaram. E aguardaram. Até que o garoto escutou um barulho lá fora. É ele que conta, hoje, adulto: "Nunca na vida ouvira um som mais lindo, mais calmante, do que os pneus daquele carro amassando as folhas de outono empilhadas junto ao meio-fio".
Inesquecível, para o menino, foi ouvir o som do carro do médico se aproximando, o homem que salvaria seu pai. Na mesma hora em que li esse relato, imaginei um sem-número de sons que nos confortam. A começar pelo choro na sala de parto. Seu filho nasceu. E o mais aliviante para pais que possuem filhos baladeiros: o barulho da chave abrindo a fechadura da porta. Seu filho voltou.
E pode parecer mórbido para uns, masoquismo para outros, mas há quem mate a saudade assim: ouvindo pela enésima vez o recado na secretária eletrônica de alguém que já morreu.
Deixando a categoria dos sons magnânimos para a dos sons cotidianos: a voz no auto-falante do aerporto dizendo que a aeronave já se encontra em solo e o embarque será feito dentro de poucos minutos.
O sinal, dentro do teatro, avisando que as luses serão apagadas e o espetáculo irá começar.
O telefone tocando exatamente no horário que se espera, conforme o combinado. Até a musiquinha que antecede a chamada a cobrar pode ser bem-vinda, se for grande a ansiedade para se falar com alguém distante.
O barulho da chuva forte no meio da madrugada, quando você está no quentinho da sua cama.
Uma conversa em outro idioma na mesa ao lado da sua, provocando a falsa sensação de que você está viajando, de férias em algum lugar estrangeiro. E estando em algum lugar estrangeiro, ouvir o seu idioma natal sendo falado por alguém que passou, fazendo você lembrar que o mundo não é tão vasto assim.
O toque do interfone quando se aguarda ansiosamente a chegada do namorado. Ou mesmo a chegada da pizza.
O aviso sonoro de que entrou um torpedo no seu celular.
A sirene da fébrica anunciando o fim de mais um dia de trabalho.
O sinal da hora do recreio.
A música que você mais gosta tocando no rádio do carro. Aumente o volume.
O aplauso depois que você, nervoso, falou em público para dezenas de desconhecidos.
O primeiro eu te amo dito por quem você também começou a amar.
E o mais raro e sublime de todos: o silêncio absoluto.
Martha Medeiros
(do livro "feliz por nada")
Melancolia
Melancolia, como diria Mário Quintana, é a maneira romântica de ficar triste. É a tristeza de certa forma idealizada pelos grandes olhos vazios e submersos em lágrimas.
A melancolia acontece na solidão de nós mesmos, por debaixo de nossos roupões de banho, sentada na soleira da porta e com uma caneca de leite quente nas mãos. Enquanto fitamos o nada, lágrimas lentamente percorrem o contorno de nossos rostos pra depois regarem o chão.
Ficar melancólilo é aceitar a tristeza que nos coube naquele momento, e talvez seja a melhor forma de tristeza para aqueles que vivem sempre alegres, simplesmente porque eles nunca foram sempre alegres. E a melancolia é fácil de ser camuflada além de ser silenciosa... E não atrapalhar a alegria dos outros.
Camilla N.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Irmãos
Desculpem-me os filhos únicos, mas não tem coisa melhor que ser contemplado com um irmão. Melhor ainda é quando você ganha quatro, todas mulheres capazes de entender suas neuras, e dentre essas quatro vem uma pequenina de brinde, quando ninguém estava esperando e que você passa a considerá-la além de irmã, uma filha.
Irmão é bom de todo jeito, pequeno, grande, homem, mulher, lesado ou inteligente, até mesmo porque ninguém escolhe o irmão que tem e é isso que faz toda a diferença. Porque são todos diferentes. Um pode não gostar do estilo que temos enquanto o outro adora pegar nossas roupas emprestado. Um gosta de suco de laranja, o outro não. Um gosta de bolo de milho, o outro não aguenta nem sentir o cheiro. E uns se zangam por coisas que a gente não se zangaria... e começam as famosas brigas entre irmãos. Famosas por acabarem rapído; não se guarda recentimentos depois de uma discursão desse tipo.
Pois, os irmãos se amam, embora às vezes queiram demontrar o contrário, mas na realidade seriam capazes de enfrentar qualquer um pra defender seus maninhos, pois irmãos acima de tudo são amigos de todas as horas e de qualquer ocasião, levantando-se e dando força nas dificuldades. Enquanto alguns amigos se distânciam por uma circunstância ou outra, os irmãos permanecem do nosso lado, inabaláveis.
Irmãos são dádivas divina e isso fica ainda mais evidente quando você os ganha não por meio do útero da sua mãe, mas por meio do destino, simplesmente porque seus pais estavam na hora certa e no lugar exato. Então você se vê com uma casa ainda mais cheia com pessoas que nem sequer tem o mesmo DNA que o seu e mesmo assim são seus irmãos, irmãos do peito, irmãos de alma, irmãos de coração.
É aí que você percebe que ser irmão é muito mais que ser gerado no mesmo útero e ter o mesmo material genético. Irmão é quem te faz companhia quando seus pais tem que sair, é quem é cúmplice das suas traquinagens, é quem divide com você os seus problemas, é quem te ajuda a fazer brigadeiro de panela, é quem te ajuda a escolher o melhor caminho, é quem perdoa as suas mancadas, é quem te ama acima de tudo, e quem sabe te fazer feliz.
Camilla N.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
fotografia
Há muitos e muitos anos alguém teve a brilhante idéia de retratar fatos, pessoas, histórias, reis, anônimos, sentimentos e afins, assim surgiram os quadros. Obras de todos os tamanhos, estilos e pontos de vista.
O tempo passou, mas a vontade de retratar momentos bons e ruins da existência continuou.
A arte pode ser interpretada como o diário da alma em que a tristeza, alegria, decepção ou angústia se faz transparecer nos contornos do pincél.
Veio a tecnologia e tornou tudo mais prático, basta uma câmera fotográfica na mão que depois de um click deixa tudo fotografado, materializado, imortalizado.
E então, as fotos tiradas podem garantir boas risadas no futuro, podem fazer fluir algumas lágrimas ou fazer você vagar em um passado que não volta mais e que ao mesmo tempo está bem nas suas mãos.
O problema da fotografia é que precisa de uma câmera pra que possa ser tirada, e nem sempre temos uma camêra a nossa disposição pra fotografarmos os melhores momentos da nossa vida. E é por isso que temos a memória, muito mais potente que os 4gb que temos na câmera fotográfica, e que é capaz de reproduzir movimentos sons e, o melhor de tudo, as sensações.
Tá certo que ela falha algumas vezes, mas é pra isso que temos as fotografias, pra fazê-la pegar no tranco. Só tome cuidado pra não esquecer daquilo que realmente importa, mesmo que não tenha fotografias pra lembrar-lo.
Camilla N.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Futuro romântico
Às vezes me pego imaginando como estarei vivendo daqui a uns dez anos ou mais. Fecho os olhos e começo a vagar por um imenso universo de incertezas.
Será se já terei terminado o curso que pretendo fazer? Será se esse será mesmo o curso que estarei cursando? Terei um trabalho satisfatório? Serei uma profissional respeitada? Terei meu próprio carro? Ou será que terei que andar de bicicleta por causa do aquecimento global? Será se me importarei com o meio ambiente? Até lá já terei encontrado meu príncipe encantado e me casado com ele? Terei meus filhos tão desejados? Será que terei minha lua de mel em Paris? Como serão as visitas à casa dos meus pais?
Tantos sonhos, objetivos e ilusões pensadas e idealizadas no campo das idéias. Mas... E se nada disso acontecer? Se minhas idéias românticas não se concretizarem? Ficarei triste? Desapontada? Desistirei da vida? Claro que não, há tempos fui informada que o futuro é incerto demais pra merecer planos.
Não faria nenhum sentido eu ficar acorrentada a coisas que poderiam acontecer ou não, eram sonhos, histórias fictícias criadas em um universo paralelo onde tudo é possível. E quando o futuro chegar, devemos ser inteligentes e aceitá-lo do jeito que ele vier, seja trazendo todos os nossos desejos consigo ou não.
A vida é muito incerta e daqui a dez anos devemos estar gratos por estarmos vivos e termos superado tanta coisa que aconteceu e que está por vir. Se não cursou o curso que sempre quis, se não deu pra comprar um carro, se o principe encantado não tiver chegado, se os filhos ainda não vieram e a lua de mel não foi em Paris... Qual o problema? Os anos passam, o mundo muda, você muda, os desejos podem não ser mais os mesmos, os objetivos podem não ter sido alcançados, mas, o que não adianta é querer viver uma vida que só acontece em romances e que você inventou em sua adolescência.
Ficar feliz com aquilo que te foi concebido é que dá sentido à vida. E que faz o futuro valer a pena!
Camilla N.
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