quinta-feira, 5 de abril de 2012

Otimismo

   
     No final das contas a gente acaba se apegando a uma única possibilidade, aquela que achamos ser a melhor, que é a que vai nos deixar feliz, aquela que desde o ínicio quisemos que se concretizasse, porque temos essa mania de pensar positivo, de querer que as coisas aconteçam do jeito que esperamos.
       Não temos poder pra prever o futuro, mas acreditamos que se usarmos a força do pensamento, poderemos de alguma forma mudá-lo e moldá-lo do jeito que quisermos.
        Maaaas, não temos esse poder.
       Ficamos imaginando que por baixo da embalagem do maior presente recebido no aniversário está o carrinho de controle remoto, a boneca que fala, anda, pula corda e tudo o mais. Esperamos que no final do ano dará tudo certo e poderemos viajar, que passaremos de ano, que seremos promovidos.
        Muitas vezes nos decepcionamos por causa desse tal de pensamento positivo! Mas, como sempre há o outro lado da moeda, pode ser que o pensamento positivo dê aquele empurrãozinho extra de que estamos precisando. Quase sempre pensar positivavente nos dá a força necessária pra buscar a concretização do desejo. Nada mais desanimador do que começar alguma coisa achando que não vai dar certo. Melhor nem começar.
      Não podemos, portanto, nos  acomodar no pessimismo. Tornar a vida amarga pra quê? Ela pode ser doce?! Duvida??? Isso é porque você não está usando seu pensamento positivo.
Camilla N.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Guarda-chuva

   
      Deixe de lado o guarda-chuva por alguns instantes e permita que a chuva venha molhar seu rosto, e bagunçar seu cabelo, e encharcar sua roupa, e borrar sua maquiagem, e lavar sua alma, e levar a sugeira pra longe. Permita-se molhar um pouco.
       Pensemos na chuva como uma etapa da vida...
       Em um dia ensolarado, a brisa gostosa que passa por entre os cabelos, nada poderia atrapalhar a mais perfeita harmonia ao seu redor, mas de repente... A chuva, a torrencial chuva que ninguém imaginaria que fosse possível desabar naquele momento. Se tivermos um guarda-chuva em mãos, tanto melhor. Poderíamos nos refugiar debaixo dele, e ficar ali escondidos sem sofrer grandes danos. Um pinguinho aqui, outro acolá, nada muito perceptível. Mas... e se o guarda-chuva não estiver na bolsa?
       Poderíamos entrar em pânico, procurar um lugar seguro ou correr até o destino final. Algumas poucas pessoas se permitiriam dançar na chuva, pular as poças d'água, brincar em meio àquela que à primeira vista parecia ser um grande problema.
      Fazer da chuva um raio de sol, um momento pra sorrir descontrair, tentar passar por cima desse obstáculo com a maturidade de um adulto e com a espontaneidade de uma criança. Depois de tudo sairemos totalmente molhados, mas poderemos dizer com sinceridade que saimos totalmente ilesos dessa aventura. Totalmente ilesos não, talvez um pouco mais sábios, e muito mais leves.
      Na vida, temos que enfrentar muitas chuvas antes de, finalmente, desfrutar do arco-íris  e nem sempre temos um guarda-chuva à nossa disposição. Cabe a você decidir o que fazer com a chuva!
Camilla N.

Futilidades


Permita-me ser fútil por um momento. Por um dia. Ou até mesmo por uma semana inteira.
Permita-me desapegar dessas obrigações diárias que me prendem e me amarram.
Permita-me passar um um dia inteirinho conversando com meus botões.
Permita-me falar besteiras e rir de tudo que me der na telha, da piada mais sem graça ao melhor de todos os palhaços.
Permita-me ler as revistas mais banais, consultar meu horóscopo, deliciar-me com um romance enjoado de tão doce.
Permita-me afogar em pipoca e coca-cola, vestida no pijama mais surrado, assistindo ao meu filme predileto pela milésima vez.
Permita-me passar um dia experimentando as roupas do armário, testando novas maquiagens.
Permita-me a futilidade dessas coisas fúteis que me tiram da órbita e fazem eu ser eu mesma novamente! 

Camilla N.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Um bolo doido



E finalmente, depois de seis meses sem descanso, sem dormir, encalhada em milhares de livros, chega a recompensa e nos deparamos com as tão esperadas FÉÉRIAS!
                O périodo do ano no qual seu corpo naturalmente se organiza pra dormir de madrugada e acordar na hora do almoço, o período no qual você come sem culpa e perde as calorias batendo perna pela cidade, ou banhando de piscina, ou correndo de cachorro, ou dançando forró ou fazendo qualquer atividade física não intencional! É o período no qual todo dia parece sábado e seus amigos estão sempre disponíveis, ninguém tem prova no dia seguinte nem trabalho pra entregar, então ficamos livres pra fazer um bolo doido!!
                Bolo doido é entrar no carro de um amigo e ver o que está acontecendo nos arredores da cidade, é banhar de rio, é jogar queimada debaixo da chuva, é matar pela primeira vez uma galinha, limpá-la e no final descobrir que ficou meio dura mas mesmo assim comer tudo do prato, é subir na garupa de uma moto, levar uma queda e mesmo assim subir de novo, é comprar os ingredientes e preparar uma deliciosa lasanha, é assar milho em churrasqueira elétrica, é fazer um lual em meio a chuva, é falar besteira, é rir até chorar, é ser feliz sem se preocupar!!
                Porque férias são curtas demais, passam muito rápido, e não vale a pena se não tiver novos amigos pra cuidar, saudade pra sentir e boas histórias pra contar...
               
No fim das contas... foi um bolo doido esperando as próximas férias pra ter de novo!!

Camilla N.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Sons que confortam

     
     Eram quatro horas da manhã quando seu pai sofreu um colapso cardíaco. Só estavam os três em casa: o pai, a mãe e ele, um garoto de doze anos. Chamaram o médico da família. E aguardaram. E aguardaram. E aguardaram. Até que o garoto escutou um barulho lá fora. É ele que conta, hoje, adulto: "Nunca na vida ouvira um som mais lindo, mais calmante, do que os pneus daquele carro amassando as folhas de outono empilhadas junto ao meio-fio".
     Inesquecível, para o menino, foi ouvir o som do carro do médico se aproximando, o homem que salvaria seu pai. Na mesma hora em que li esse relato, imaginei um sem-número de sons que nos confortam. A começar pelo choro na sala de parto. Seu filho nasceu. E o mais aliviante para pais que possuem filhos baladeiros: o barulho da chave abrindo a fechadura da porta. Seu filho voltou.
     E pode parecer mórbido para uns, masoquismo para outros, mas há quem mate a saudade assim: ouvindo pela enésima vez o recado na secretária eletrônica de alguém que já morreu.
     Deixando a categoria dos sons magnânimos para a dos sons cotidianos: a voz no auto-falante do aerporto dizendo que a aeronave já se encontra em solo e o embarque será feito dentro de poucos minutos.
     O sinal, dentro do teatro, avisando que as luses serão apagadas e o espetáculo irá começar.
     O telefone tocando exatamente no horário que se espera, conforme o combinado. Até a musiquinha que antecede a chamada a cobrar pode ser bem-vinda, se for grande a ansiedade para se falar com alguém distante.
     O barulho da chuva forte no meio da madrugada, quando você está no quentinho da sua cama.
     Uma conversa em outro idioma na mesa ao lado da sua, provocando a falsa sensação de que você está viajando, de férias em algum lugar estrangeiro. E estando em algum lugar estrangeiro, ouvir o seu idioma natal sendo falado por alguém que passou, fazendo você lembrar que o mundo não é tão vasto assim.
     O toque do interfone quando se aguarda ansiosamente a chegada do namorado. Ou mesmo a chegada da pizza.
     O aviso sonoro de que entrou um torpedo no seu celular.
     A sirene da fébrica anunciando o fim de mais um dia de trabalho.
     O sinal da hora do recreio.
     A música que você mais gosta tocando no rádio do carro. Aumente o volume.
     O aplauso depois que você, nervoso, falou em público para dezenas de desconhecidos.
     O primeiro eu te amo dito por quem você também começou a amar.
     E o mais raro e sublime de todos: o silêncio absoluto.
Martha Medeiros
(do livro "feliz por nada")

Melancolia

 
     Melancolia, como diria Mário Quintana, é a maneira romântica de ficar triste. É a tristeza de certa forma idealizada pelos grandes olhos vazios e submersos em lágrimas.
     A melancolia acontece na solidão de nós mesmos, por debaixo de nossos roupões de banho, sentada na soleira da porta e com uma caneca de leite quente nas mãos. Enquanto fitamos o nada, lágrimas lentamente percorrem o contorno de nossos rostos pra depois regarem o chão.
    Ficar melancólilo é aceitar a tristeza que nos coube naquele momento, e talvez seja a melhor forma de tristeza para aqueles que vivem sempre alegres, simplesmente porque eles nunca foram sempre alegres. E a melancolia é fácil de ser camuflada além de ser silenciosa... E não atrapalhar a alegria dos outros.
     Camilla N.